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Graforreia Intermitente

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Ordinarices: O Preço de um Prato

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Já não é a primeira vez que vejo no meu feed de notícias do Facebook a partilha – e os comentários – de uma publicação retratando a indignação de alguém por ter pago 1,50€ por um prato extra. Pois é! Os pratos também têm um preço.

Resumidamente, um conterrâneo nosso terá pedido um prato extra para partilhar um pouco de comida com uma criança. Quando atenta à conta, repara que lhe foi cobrado um valor pelo prato cedido. E gera-se a indignação.

Muitos consideram uma pouca-vergonha, outros, uma ilegalidade, e há ainda quem chame o proprietário de ganancioso (por estas ou outras palavras), acrescentando a ameaça do estabelecimento ter perdido mais um cliente.

E eu? Eu não me consigo indignar. Honestamente, não me choca que um estabelecimento, seja restaurante ou confeitaria, cobre um valor pela cedência de um prato vazio para que se possa partilhar parte da comida. Desde que, claro, esta cobrança seja anunciada para que não se torne uma surpresa inesperada no fim da visita.

Se pensarmos bem, queixamo-nos (vou generalizar) dos salários baixos e da exploração dos trabalhadores, mas indignamo-nos, igualmente, se um trabalhador espera uma gratificação (vulgo, gorjeta) ou se temos de pagar um valor pelo “empréstimo” de um prato que um qualquer trabalhador terá de lavar, secar e arrumar.

Sabemos protestar e sabemos exigir tudo e mais um pouco, mas esquecemo-nos de pensar no porquê das coisas, no seu fundamento. Mais uma vez, reitero, considero normal que se cobre pela cedência de um prato vazio, quando o mesmo terá de ser entregue, recolhido, lavado, secado e arrumado por um trabalhador. Porque ninguém gosta de trabalhar de graça ou de ser mal pago.

 

 *Imagem retirada de stocksnap.io

Relembro que este blog já está presente no Facebook: Graforreia Intermitente.

Ordinarices: Não és tu, são os outros

O problema não és tu, são os outros. Reparei que tenho dito e pensado esta frase mais vezes que o normal nos últimos anos. Não, não se trata de uma frase para acabar um namoro, mas sim de uma frase que tenho utilizado para explicar determinados comportamentos e para finalizar algumas das minhas respostas.

Utilizo-a frequentemente no âmbito profissional – tenho responsabilidades associadas ao funcionamento de alguns edifícios da empresa onde trabalho. Em resumo, lido com prestadores de serviços e fornecedores. E tenho-vos a dizer que é mais fácil lidar com os colaboradores dessas empresas do que com os colaboradores da nossa própria empresa.

Muitas vezes, perante determinados procedimentos ou acontecimentos, há sempre um colaborador que nos conhece melhor e nos vem pedir um favorzinho. Eu tenho optado por negar, justificando: O problema não és tu, são os outros. Alguns percebem, outros ficam surpresos com a resposta e tentam contra-argumentar. Os últimos muitas vezes revelam não ter o mínimo de conhecimento sobre os comportamentos dos restantes colegas de trabalho. É que nem todos parecem ter os níveis mínimos de civismo e ética exigidos.

Desde que exerço este tipo de funções (2009) que percebi que a dificuldade não está nos equipamentos e estruturas, nas emergências que vão surgindo, ou nas relações com os prestadores de serviços e fornecedores. A verdadeira dificuldade está em lidar com os próprios colaboradores da nossa empresa.

Na verdade, não creio que se trate deste grupo de pessoas em específico. Acredito que se trata de uma atitude generalizada na nossa sociedade. Dizem-nos que temos uma panóplia de direitos que devemos proteger com unhas e dentes e, como consequência, aprendemos a reclamar e esperar que os outros respeitem os nossos direitos – quer interfiram com os direitos de outros ou não.

E, por isso, muitas vezes tenho de dizer: O problema não és tu, são os outros. Umas vezes com sinceridade, outras vezes com vincada ironia.

Por exemplo, muitos acham ridículo ser necessário efetuar um pedido prévio de estacionamento, existir um registo na portaria de viaturas (algo simples como facultar a matrícula e, em alguns casos, o nome e n.º mecanográfico) e terem de ouvir o aviso para estacionarem apenas no lugar que lhes é indicado. Há colegas que vêm pedir o favorzinho de estacionar ou porque não fizeram pedido prévio ou porque é só por uns minutos. Ou então, de entrarem pelo outro portão onde não há controlo, porque lhes dá mais jeito. E eu não posso conceder-lhes estes favores. O problema até nem são eles, são os outros. É que temos colegas que aproveitam para utilizar os parques sem terem uma necessidade premente para tal (os lugares de estacionamento são muito inferiores ao número de viaturas), ou estacionam em sítios onde não devem (lugares de mobilidade reduzida) ou então estacionam mal, obrigando a um contacto telefónico a convidar o condutor a corrigir o modo como estacionou a viatura para que outros colegas também possam estacionar.

Outro exemplo, numa das reclamações com os serviços de limpeza, que envolvia o ataque à Técnica de Limpeza (nome pomposo que soa melhor do que senhora da limpeza) e a falta de qualidade do seu serviço, uma vez que um dos privados do WC estava sujo e também já não havia toalhetes para secar as mãos. Quando fui ter com o colaborador queixoso, descubro que o mesmo constatou esta situação cerca de 1 hora após ter sido realizado o serviço de limpeza naquele WC e os dispensadores terem sido abastecidos. Olhei de relance para o posto de trabalho do colaborador, e respirei fundo:

- “Sabe, o WC foi limpo às 9h30. Depois disso terá sido utilizado por outros colegas que não tiveram o cuidado de utilizar o piaçaba nem de deixar o privado em estado satisfatório para que fosse utilizado de seguida. Se calhar não se lembrou de fazer como faz em casa e de deixar as instalações num estado aceitável para os outros colegas. Quanto aos toalhetes, vejo que tem aí um maço deles pousados na secretária…”

- “Ah! É que eu às vezes viro o copo com água e assim já tenho aqui para limpar. E também servem de guardanapo para comer o meu lanche. Mas não se preocupe que eu não os deixo aqui para a senhora da limpeza os pôr no lixo. Eu mesmo coloco no caixote antes de ir embora.”

-“Pois! Mas compreenda, o problema não é o senhor, são os outros. Enquanto tirou para aí uns 15 toalhetes para estarem pousados na secretária, se calhar outros colegas agiram mal e tiraram 30 toalhetes. Como sabe, somos muitos aqui nestas instalações, por isso se cada um tirou 30, o dispensador ficou vazio num instante.”

Um exemplo final, que ocorreu numa altura em que ainda estava verde. Recebo duas reclamações relativas à climatização de uma sala. Uma colaboradora com calor e outra colaboradora com frio. Quando me dirigi ao espaço em causa e pergunto pelas queixosas, descubro que se sentam na mesma ilha, uma em frente à outra. Não referi, mas estávamos em pleno verão. A que reclamou porque tinha frio apenas o fez porque a outra disse que ia reclamar que tinha calor, e ela não queria que a temperatura da sala fosse reduzida. A que reclamou que estava com muito calor, estava a usar calças de bombazina e camisola de malha (devia ser algodão). Já referi que estávamos em pleno verão?!?! Uma vez que os restantes colaboradores presentes naquela sala estavam confortáveis com a atual temperatura, não efetuei qualquer alteração. Passado umas horas, tinha uma nova reclamação. A colaboradora que tinha calor, continuava com calor. Pois, se calhar devia ter-lhe dito:

- “O problema não é a colega, são os outros. Se eles vestissem roupa quente no verão eu já podia programar o ar condicionado para fazer nevar na sala.”

De facto, há pessoas que só conseguem ver o próprio umbigo. Que sentem que têm determinados direitos e que ninguém lhes há de pisar os calcanhares. Se esses outros também têm direitos, isso já é outra história, porque os meus são os mais importantes. Porque é que não posso estacionar onde e como me apetece? O carro até é da empresa! E porque é que tenho de utilizar a casa de banho com brio, se há senhoras de limpeza a precisar de trabalho? E porque raio me devo vestir adequadamente para o local onde estou a trabalhar se aquilo tem ar condicionado?

E isto estende-se muito além desta empresa ou de qualquer outra empresa. Tem estado presente no dia-a-dia, em todo o lado.

Porque é que hei de estacionar o carro a 100 metros do portão da escola se posso ficar em segunda fila ou até em cima da passadeira mesmo ali à portinha?

Porque é que não posso ir para a fila de compras inferiores a 15 unidades – mesmo que tenha 30 – se aquela é a fila que anda mais rápido?

Porque é que tenho de ver roupa numa loja sem fazer daquilo uma banca de feira virada do avesso, se os funcionários estão lá é para arrumar a roupa?

Porque é que não me posso sentar mesmo ao lado daqueles fumadores na esplanada com o meu bebé, se é aquela mesa que eu quero e mais nenhuma das 15 mesas livres? Eles que não fumem enquanto o bebé ali estiver.

Porque é que tenho de parar na passadeira se o meu carro anda mais rápido que a velhota que está ali à espera para atravessar? Quem vem atrás que pare.

Porque é que não podemos estar mais do que 2 pessoas a visitar fulano no hospital? Só porque ele está a dividir o quarto com mais 4 pessoas?

Porque é que eu tenho de andar 4 metros até ao cinzeiro, quando posso deitar a beata para o chão? Há funcionárias de limpeza para alguma coisa.

A cada uma destas pessoas deixo o meu muito irónico: O problema não és tu, são os outros.

 

Ordinarices: Dependente Tecnológico

Ok! Eu até entendo que a tecnologia está a tomar conta das nossas vidas e a deixar-nos cada vez mais dependentes de um ecrã e um processador. Mas temos de admitir que a vida já não seria a mesma sem tecnologia.

Até há pouco tempo (talvez por reconhecer algum estatuto a quem protestava contra a tecnologia) concordava que a tecnologia tem uma posição extremamente dominante e que as pessoas estão dependentes, quais zombies descerebrados.

Agora só concordo com a primeira parte. A tecnologia ocupa o lugar cimeiro nas nossas vidas pessoais, profissionais e sociais. E ainda bem! Cada vez mais a tecnologia apresenta uma maior fiabilidade do que o ser humano. Mais facilmente automatizo uma parte do trabalho que é necessário fazer do que o delegado a um colega humano. E, pensando bem, a tecnologia é resultado do cérebro humano, transportando com a ele a imperfeição do criador, mas igualmente a maior potencialidade do seu intelecto.

Já relativamente à parte da dependência, temos de admitir que tudo procede do conteúdo dessa mesma dependência. Por exemplo, as redes sociais. Atualmente as redes sociais, com tudo de bom e de qualidade que contém, são, igualmente, invadidas pelas maiores imbecilidades que a humanidade pode criar. Imbecilidades que apenas têm comparação com os imbecis que as criam e os lerdos que lhes dão importância e as veneram.

Por mim falo, sou dependente da tecnologia e assumo-o. Não consigo sair de casa sem smartphone e desespero quando a percentagem de bateria se aproxima dos 10% e ainda estou longe de chegar a casa. Mas uso-a para trabalhar, para me informar, para estar em contacto, para socializar nesta nova forma de estar presente, e para o meu lazer. Não vou abdicar desta dependência enquanto ela não me for prejudicial.

Ou seja, como tudo na vida, com regulação e consciência tudo se aceita, tudo aumenta a nossa qualidade de vida e satisfação. Quando os abusos se apoderam da nossa atitude é que a porca torce o rabo.

 

Nota: Escrevo este texto sentando numa mesa redonda num almoço de um batizado com pessoas que não conheço e com quem as quais não me sinto capaz interagir (deve ser do sono). Além de que incluem um bebé que me está a baralhar o juízo e a esgotar a paciência com as suas macacada exibicionistas incentivadas pelos "papás" que perderam a noção da realidade algures nas noites mal dormidas. Já estou sentado há uma hora e só comi a sopa!

 

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